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Curtas de Vila do Conde: Competição Nacional

Curtas de Vila do Conde: Competição Nacional

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Descobre aqui os nossos destaques da competição nacional do Festival de Curtas de Vila do Conde.

Criado por: Ricardo Santos Silva em 08 / 10 / 2020

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O Festival Curtas de Vila do Conde já vai avançado e ontem terminou a mostra da competição nacional de filmes. Foram 16 filmes a competição, muito diferentes, muito especiais, com durações que foram dos 6 aos 40 minutos. Uma seleção realmente rica em ação diferente, argumentos distintos, animações, parecenças a documentários e outros aspetos que, só vendo se sabe e se sente. 


E era mesmo a secção que estava com mais vontade de explorar. O cinema português e a forma como ele está a mudar (para melhor, na minha opinião) é algo que me interessa muito e ver essa mudança espelhada em filmes de pouca duração era algo que ansiava presenciar e assistir. 


Todos os filmes despertaram algo em mim, a maior parte algo de bom, mas também houve alguns que me despertaram estranheza casos de "Armour" ou "Crioulo Quântico", filmes deslocados daquilo que o realizador poderia querer, filmes que parecem ter sido feitos de uma pessoa para ela mesma e não para um público.


Porém, imensa coisa me deliciou nesta seleção de um dos maiores festivais de cinema do país. "Ursula" de apenas seis minutos foi um deles, com uma narração absolutamente arrepiante de Ricardo Vaz Trindade, a história é contada sobre um senhor que sonhou ser mulher. É um ensaio sobre o tempo e o estar, sobre saber ser e perceber quem se é, que identidade se tem. Com imagens belíssimas e uma presença incrível da atriz Ellen Jeffrey, este captou mesmo a minha atenção. 

"a Terra do não retorno" de Patrick Mendes é uma ótima "comidice", uma coisa fora da caixa mesmo. Primeiro, tem um fantástico elenco com nomes como Isabel Abreu e Pedro Lacerda, esta história de silêncio de uma sociedade do pós-vida em que cada membro parece adorar uma pedra que levam ao pescoço e a partir da qual criam uma pasta que lhes permite curar feridas. A maior parte da ação do filme mostra um ritual de passagem de um corpo desprovido de vida até à vida com os seus novos concidadãos. De ver e rever. 

"Thornes and Fishbornes" (ou "Lascas") foi a melhor curta metragem desta competição, para mim. O trabalho de Natália Azevedo Andrade é qualquer coisa dentro do fenomenal. A ação passa-se toda dentro de uma casa onde está uma mãe e três crianças que as protege de todos os males que estão do lado de fora. A animação, os desenhos são algo que nunca tinha visto e é um filme que faz pensar, faz pensar sobre a liberdade e sobre a falta dela; e de como é importante procurar outras saídas e formas de resolver os problemas. A quem é fã de animação é obrigatório tentarem ver este filme, a quem não é, aconselho na mesma, porque é mesmo diferente de tudo o que já tinha visto em termos de animações.

Por último mas não em último, quero destacar o filme "Catavento" de João Rosas. Nota-se que os atores ainda estão a aprender a interpretar, nota-se vários erros mas a história e a forma como está filmado e o simples argumento que a acompanha fez esquecer tudo isso. É um filme mais jovem, mais chegado à realidade, menos ensaístico, tem bons diálogos, bons pensamentos. Fala sobre amor entre adolescentes e a dificuldade de fazer escolhas, e quem não gosta de um bom filme sobre isso?


Foi um grande conjunto de filmes que esteve selecionado para a 28ª edição deste festival que celebra as curtas metragens. Numa edição que teve uma grande componente digital por causa da pandemia COVID-19, é de louvar o trabalho de apoio ao cinema português feito pela organização do festival e que é feito há muitos anos e irá continuar por muitos mais.




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