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Duração: 73 minutos

Data de Estreia: 22 / 10 / 2020

Orçamento: Sem Informação

Receita: Sem Informação

Linguagem: Inglês

Status: Lançado

Produtora /s:

Bando à Parte Magnolia Pictures International Pinball London

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ranting

Reviews: 88
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Listen

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23 / 10 / 2020

Engraçado como ouvimos tantas histórias sobre a surdez das pessoas ao nosso redor. Das pessoas que preferem não ouvir os gritos de desespero ou ajuda. Até percebermos que fazemos parte desse grupo. Em várias ou diferentes situações da vida e do mundo.


Fui ver Listen, a primeira longa-metragem de Ana Rocha de Sousa que foi premiada no Festival de Veneza. Estrou ontem nos cinemas portugueses, mas eu já estava bastante contextualizada sobre o que se iria passar na tela durante 73 minutos.


“Um filme de voz ativista, contra o sistema, de denúncia, sobre luta. Um filme político e militante, mas de drama familiar”. Sim, é um pouco isto, mas muito mais do que isto.


De forma muito realista, Listen carrega-nos para dentro de uma família portuguesa que nos dá um alerta urgente sobre ouvir e sobre saber o que devemos ouvir. Não há em lado nenhum desta história, um fator leviano que nos ajude a chegar ao final do filme sem o coração tão apertado.


É uma história baseada em várias famílias que passaram pelo mesmo caos. Esta família portuguesa vive em Londres com extrema dificuldade financeira e sem apoios sociais ou de outros familiares.


Bela (Lúcia Moniz) e Jota (Rúben Garcia) vivem com os três filhos numa pequena casa até ao dia em que, por causa de uma conjugação de fatores infelizes, os serviços sociais britânicos retiram a guarda das crianças.


A partir daqui, acompanhamos os esforços desesperados e sufocantes do casal, que lutam para voltar a ter os filhos em casa. Mas para os ter de volta, têm de provar ao sistema social e judicial que as suspeitas de serem pais violentos são falsas.


Não vou mentir, são 73 minutos tristes e totalmente entregues a Lúcia Moniz. Consigo-vos resumir o filme em três cenas e nestas cenas temos sempre Lúcia Moniz numa atuação excecional que me fez tremer.


Do início ao fim, destaco sempre a mãe, porque todas as emoções que me transmitiu fizeram-me sentir minúscula e com medo de um dia viver aquela dor. Com isto não quero tirar mérito a Rúben Garcia na pele do pai. Foi também um excelente ator em que consegue fazer-nos sentir o seu desespero mas sem nunca perder a esperança de que vai voltar a ter os filhos nos braços. Aguentou o barco nas piores partes da tempestade.


A cena em que os serviços sociais britânicos retiram as crianças de Bela e Jota; A cena em que Bela é impedida de comunicar com a filha surda através de linguagem gestual; E a cena em que Bela se defende no tribunal e discursa sobre a injustiça que está a acontecer com a família dela; São estes momentos que nos fazem querer saltar para o ecrã e abraçar Bela e Jota com todas as nossas forças!


Esta três partes são fulcrais e para mim, foram totalmente abrilhantados pelo talento de Lúcia. E digo-o porque nunca antes tinha sofrido da forma que a personagem sofre e desta vez vivi profundamente a dor de uma mãe que perde os três filhos sem que ninguém a oiça. 


Ouvir... Ninguém ouviu esta família quando precisou de ajuda, ninguém ouviu esta família quando precisou de provar inocência, ninguém ouviu esta família quando a única coisa que queria era estar junta novamente.


Ficamos a saber que esta história retrata uma realidade britânica dura e por isso, é inevitável sair do filme sem novas questões na cabeça. Até fico a pensar que a realidade é bem pior do que esta contada por Ana Rocha de Sousa. Mas seja como for, é um filme que me fez correr lágrimas. E espero que a missão da realizadora seja cumprida!




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